sábado, 10 de setembro de 2011
no deslumbre da ideia
das árvores
o azul
pantone
feérica a noite testemunha
a cumplicidade das Ideias.
quem disse que não eram importantes?
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Certo é que sua perspectiva impede-o de partilhar, desinteressada e levianamente a realidade com os demais, habituados à perspectiva terrena, desapaixonada das alturas, limitada sempre num algures por um obstaculo erguido. Nas cordenadas terrenas, a lógica é ritmada pela cadência dupla do passo, da norma aprendida, do dois, um ou outro e algures algo que dificulta a progressão. Foi por isso, vendo sobre as nuvens, na partilha do ceu sem fim, que seu coração conquistou uma outra cordenada, singular. Aquela que partilham todos os que se permitem nela incorrer, ou aos quais a Natureza agraciou com a arte do voo: a da leveza dos sonhos.
domingo, 4 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
da circularidade do tempo
que o foram sem o agora ser
e de todos o que encontro nesta constante saudade
daquilo que ainda não aconteceu
de todos os instantes que vivemos e dos quais
saudosos esperamos para
neles poder ser
inteiros.
sombra dos dias
1.recito os aikai de cor.
não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho.
contra os meus passos
a lua
sorriu.
suave
a manhã mergulha
dentro de si.
2.a sombra dos dias projecta-se sobre o chão, no seu recorte vejo a evidência, tudo o que não se quer ver, porque não se pode, mas o que e deixou, na sua magnificiencia, escapar. somente a luz a conseque delimitar.
essa sombra dos dias em que a eviÊncia deixamos escapar.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
o sem coração
E nesse dia em que o vazio se mostrou como evidência, o homem sem coração não pode chorar. Nada na lógica clara da racionalidade lhe indicava que não ter coração merecesse uma lágrima. talvez sim, pudesse ter merecido se essa ausência implicasse a perda de algum proveito, algo que objectivamente se pudesse equacionar como desvalorizante económicamente,mau para a saúde, capaz de trazer problemas com a lei no futuro, enfim. Nada disso estava em presença, a culpa não era sua e por consequência o que se mostrou óbvio foi rir.
Presença, Imanência, Consciência, Natureza, corporeidade, sensibilidade, intensidade, selvagem. Nunca deixem o meu coração.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
a luz da manhã
do seu ventre branco uma mulher retira uma raiz. no acto continuo a raiz adensa-se em ramo de laranjeira carregando papoilas em flor, agapantos, flores de laranjeira e folhagem carnuda cinzenta. São lindissimas as mãos vividas desta mulher. O ramo é dividido. Contra uma janela, no interior luminoso de um parapeito, cada uma das partes é colocada em distintos jarros transparentes.
A silhueta do ramos
recorta
a luz da manhã.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
A cauda do cometa
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
curta#4
curta#3
curta#2
curta#1
segunda-feira, 27 de julho de 2009
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
voltei hoje
quinta-feira, 18 de junho de 2009
trans-onirico acidental
terça-feira, 16 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Sto António de Lisboa
palavra e coisa para aqui e lembras-te do que disseste para ali, do que pensaste e sentiste, do que desejas-te e fizeste. e da ultima vez e ontem e daquela vez e sempre, afinal foi sempre assim, sempre soube e ai pois isto e aquilo, e, e podia ser tudo simples, ser culpado é o mais fácil, afinal depois de todas as parvoices que já dissemos, o que resta para acreditar?
sexta-feira, 12 de junho de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
A. de cArtomante
Contra este tapete antigo sonho a presença do teu olhar. Persegue-me o brilho do único olho com que me vês: ao outro está reservado o consenso do mundo, onde te partilhas nessa imagem que nos assegura a sanidade. E perseguem-me as tuas palavras. Persegue-me a certeza da imagem nestas sonhada. Eu estarei lá sim, nesse dia em que tudo mudará.quinta-feira, 30 de abril de 2009
p de paraiso e p de promessa
terça-feira, 28 de abril de 2009
obliquidade temática
domingo, 12 de abril de 2009
latitude D.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Jade
quinta-feira, 2 de abril de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009

Cada noite, conto-te uma estória, das que tu me ensinas. Aprendi a ler o mundo, no desfolhar das copas e no brilho salgado das ondas. contigo. Na tua presença, voltei a nascer, em cada toque, em cada sensação. Conto-te as estorias do mundo que me mostras, da vida que tu me ensinas. Cada noite, antes de te ver partir.
pérolas
quarta-feira, 18 de março de 2009
Afinal

terça-feira, 17 de março de 2009
Sorbonne

America dos Indios
nas ilhas das noites quentes
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a mala
Um dia encontrei uma mala preta. Não era de ninguém, era por sim mesma. Não existia por ser de alguém, sempre existiu como mala sem que para o ser tivesse de ser submetida ao uso. Cruzámo-nos numa casa de chá. Eu bebia chá de âmbar e as minhas mãos – mãos iluminadas pelo Inverno rasante, partilhavam com o tampo da mesa a sombra do gradeado da janela.
A mala estava lá sentada, à minha frente, muda. Mala média, preta, tecido, indiferente, prática. Para usar a tiracolo. A primeira e única coisa que me disse – e com orgulho - foi: Nunca fui roubada. Nada mais soube, pela sua própria voz. E nunca soube porque é que ela estava naquela casa de chá, porque é que me disse aquilo, como lá chegou e para onde foi. Também não me preocupei com o assunto. Nem, naquele momento, se seria a mala de alguém. Estava ali, sentou-se na minha mesa e falou comigo. Que argumentos mais necessito para justificar o facto de a ter aberto? Já reconheci a inconveniência da minha curiosidade, já sei tudo isso – as malas não se sentam porque não têm pernas, as malas não falam, a mala é um artefacto não uma entidade com autonomia e vontade, quando é que cresces, quando é que te deixas de bizarrias e passas a viver no mundo das pessoas normais?, fazia-te bem deixares-te dessas merdas que assustam os outros, patati, patata, - já sei isso tudo, e não me interessa. Nem um bocadinho. Por isso abri a mala. Ela falou, eu libertei as minhas mãos da intimidade com a luz do Inverno e, claro!, abri a mala. Se me arrependo? claro que não!
Que desilusão. Nada de especial, mala banal. Fala e é banal. Porra, que desperdício! – foi o que pensei. Um livro de poesia, um livro de haikai todo riscado com desenhos -( o que as pessoas fazem aos livros !) –, um livro das polaroids russas e poemas do Tarkovsky; uma máquina polaroid land camera 100, um pacote de filme fuji, umas chaves atadas a um cordão de cabedal, uma caneta preta, uma lapiseira, dois cds sem capa, algumas fotografias soltas, sementes secas, uma fotografia de três velhinhas a acenar do céu, uns óculos ray-ban, um telemóvel todo partido, uma giboia com aproximadamente 20 metros deformada na zona do abdomén pelo último menino que comeu, um sofá luís XIV bem talhado e forrado com o adamascado que juro ser mais tardio que a estrutura, uma iluminura que se soltou de um livro e goza as liberdades da não subjugação a um suporte e a uma narrativa – é uma letra capital dourada, um A gótico rodeado de rosas silvestres (que abanam com esta corrente de ar) e colibris com patas de cão, uma edição antiga das Metamorfoses de Ovidio em escala pequena, ( dois centímetros, aproximadamente), um embondeiro, um lustre de tamanho médio. Entre outras coisas mais banais ainda.
A única coisa que não percebo é como é que nunca foi roubada.



