quinta-feira, 26 de maio de 2011
da circularidade do tempo
que o foram sem o agora ser
e de todos o que encontro nesta constante saudade
daquilo que ainda não aconteceu
de todos os instantes que vivemos e dos quais
saudosos esperamos para
neles poder ser
inteiros.
sombra dos dias
1.recito os aikai de cor.
não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho.
contra os meus passos
a lua
sorriu.
suave
a manhã mergulha
dentro de si.
2.a sombra dos dias projecta-se sobre o chão, no seu recorte vejo a evidência, tudo o que não se quer ver, porque não se pode, mas o que e deixou, na sua magnificiencia, escapar. somente a luz a conseque delimitar.
essa sombra dos dias em que a eviÊncia deixamos escapar.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
o sem coração
E nesse dia em que o vazio se mostrou como evidência, o homem sem coração não pode chorar. Nada na lógica clara da racionalidade lhe indicava que não ter coração merecesse uma lágrima. talvez sim, pudesse ter merecido se essa ausência implicasse a perda de algum proveito, algo que objectivamente se pudesse equacionar como desvalorizante económicamente,mau para a saúde, capaz de trazer problemas com a lei no futuro, enfim. Nada disso estava em presença, a culpa não era sua e por consequência o que se mostrou óbvio foi rir.
Presença, Imanência, Consciência, Natureza, corporeidade, sensibilidade, intensidade, selvagem. Nunca deixem o meu coração.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
a luz da manhã
do seu ventre branco uma mulher retira uma raiz. no acto continuo a raiz adensa-se em ramo de laranjeira carregando papoilas em flor, agapantos, flores de laranjeira e folhagem carnuda cinzenta. São lindissimas as mãos vividas desta mulher. O ramo é dividido. Contra uma janela, no interior luminoso de um parapeito, cada uma das partes é colocada em distintos jarros transparentes.
A silhueta do ramos
recorta
a luz da manhã.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
A cauda do cometa
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
curta#4
curta#3
curta#2
curta#1
segunda-feira, 27 de julho de 2009
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
voltei hoje
quinta-feira, 18 de junho de 2009
trans-onirico acidental
terça-feira, 16 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Sto António de Lisboa
palavra e coisa para aqui e lembras-te do que disseste para ali, do que pensaste e sentiste, do que desejas-te e fizeste. e da ultima vez e ontem e daquela vez e sempre, afinal foi sempre assim, sempre soube e ai pois isto e aquilo, e, e podia ser tudo simples, ser culpado é o mais fácil, afinal depois de todas as parvoices que já dissemos, o que resta para acreditar?
sexta-feira, 12 de junho de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
A. de cArtomante
Contra este tapete antigo sonho a presença do teu olhar. Persegue-me o brilho do único olho com que me vês: ao outro está reservado o consenso do mundo, onde te partilhas nessa imagem que nos assegura a sanidade. E perseguem-me as tuas palavras. Persegue-me a certeza da imagem nestas sonhada. Eu estarei lá sim, nesse dia em que tudo mudará.quinta-feira, 30 de abril de 2009
p de paraiso e p de promessa
terça-feira, 28 de abril de 2009
obliquidade temática
domingo, 12 de abril de 2009
latitude D.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Jade
quinta-feira, 2 de abril de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009

Cada noite, conto-te uma estória, das que tu me ensinas. Aprendi a ler o mundo, no desfolhar das copas e no brilho salgado das ondas. contigo. Na tua presença, voltei a nascer, em cada toque, em cada sensação. Conto-te as estorias do mundo que me mostras, da vida que tu me ensinas. Cada noite, antes de te ver partir.
pérolas
quarta-feira, 18 de março de 2009
Afinal

terça-feira, 17 de março de 2009
Sorbonne

America dos Indios
nas ilhas das noites quentes
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a mala
Um dia encontrei uma mala preta. Não era de ninguém, era por sim mesma. Não existia por ser de alguém, sempre existiu como mala sem que para o ser tivesse de ser submetida ao uso. Cruzámo-nos numa casa de chá. Eu bebia chá de âmbar e as minhas mãos – mãos iluminadas pelo Inverno rasante, partilhavam com o tampo da mesa a sombra do gradeado da janela.
A mala estava lá sentada, à minha frente, muda. Mala média, preta, tecido, indiferente, prática. Para usar a tiracolo. A primeira e única coisa que me disse – e com orgulho - foi: Nunca fui roubada. Nada mais soube, pela sua própria voz. E nunca soube porque é que ela estava naquela casa de chá, porque é que me disse aquilo, como lá chegou e para onde foi. Também não me preocupei com o assunto. Nem, naquele momento, se seria a mala de alguém. Estava ali, sentou-se na minha mesa e falou comigo. Que argumentos mais necessito para justificar o facto de a ter aberto? Já reconheci a inconveniência da minha curiosidade, já sei tudo isso – as malas não se sentam porque não têm pernas, as malas não falam, a mala é um artefacto não uma entidade com autonomia e vontade, quando é que cresces, quando é que te deixas de bizarrias e passas a viver no mundo das pessoas normais?, fazia-te bem deixares-te dessas merdas que assustam os outros, patati, patata, - já sei isso tudo, e não me interessa. Nem um bocadinho. Por isso abri a mala. Ela falou, eu libertei as minhas mãos da intimidade com a luz do Inverno e, claro!, abri a mala. Se me arrependo? claro que não!
Que desilusão. Nada de especial, mala banal. Fala e é banal. Porra, que desperdício! – foi o que pensei. Um livro de poesia, um livro de haikai todo riscado com desenhos -( o que as pessoas fazem aos livros !) –, um livro das polaroids russas e poemas do Tarkovsky; uma máquina polaroid land camera 100, um pacote de filme fuji, umas chaves atadas a um cordão de cabedal, uma caneta preta, uma lapiseira, dois cds sem capa, algumas fotografias soltas, sementes secas, uma fotografia de três velhinhas a acenar do céu, uns óculos ray-ban, um telemóvel todo partido, uma giboia com aproximadamente 20 metros deformada na zona do abdomén pelo último menino que comeu, um sofá luís XIV bem talhado e forrado com o adamascado que juro ser mais tardio que a estrutura, uma iluminura que se soltou de um livro e goza as liberdades da não subjugação a um suporte e a uma narrativa – é uma letra capital dourada, um A gótico rodeado de rosas silvestres (que abanam com esta corrente de ar) e colibris com patas de cão, uma edição antiga das Metamorfoses de Ovidio em escala pequena, ( dois centímetros, aproximadamente), um embondeiro, um lustre de tamanho médio. Entre outras coisas mais banais ainda.
A única coisa que não percebo é como é que nunca foi roubada.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
VANDELLI BOX

sexta-feira, 29 de junho de 2007
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Um raio único
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Botânica
Sinto as minhas costas estenderem-se contra o colchão mole. Também são costas antigas. Na ausência do teu perfil, tento localizar no papel de parede os teus sonhos, e os sonhos que aqui sonhámos juntos.



